
Outubro 2005 |
Estúdio: Akemi Tattoo
Cidade: Sertãozinho / SP |
Por:
Amana Rodrigues
Como foi aprender a técnica da tatuagem?
Foi bem difícil no começo, pois comecei
tatuando só em casa e grávida. Estava
isolada e as técnicas chegaram um pouco tarde
até mim. Tive ajuda do meu amigo Márcio,
entre outros, mas aprendi mesmo foi errando. Demorei
pra entender o porquê de uma máquina
não ser boa, a aprender a regular, a escolher
agulhas e tintas de qualidade. Ainda estou aprendendo...
Desde o momento em que eu comecei a sair daqui para
procurar e conhecer os tatuadores de fora, eu evolui
muito como tatuadora.
Você não chegou a fazer nenhum
curso nesta área em seu processo de aprendizagem.
Qual é a sua opinião sobre estes cursos?
Eu acho que a maioria destes cursos é feita
em vão. Muitas pessoas hoje em dia querem
ganhar dinheiro e para isso montam um curso de tattoo.
Ensinam mais ou menos o básico e às
vezes ainda ensinam errado. São poucas as
exceções. Como
foi a decisão de ter seu próprio estúdio?
Foi acontecendo aos poucos. No começo eu
não tinha condições, não
tinha dinheiro e ainda tinha dois bebês. Foi
muito difícil pra mim, mas meu sonho era
ter um estúdio. Abri minha loja no centro
da cidade faz apenas 2 anos. Você
começou a se tatuar aos quinze e não
teve autorização de seus pais para
isto. O que pensa da lei que proíbe menores
de se tatuar?
Fiz sem autorização e demorou para
que meus pais descobrissem. A lei é inútil,
pois não há fiscalização
adequada. Tem estúdios bons que não
fazem tatuagens em adolescentes, então eles
vão fazer em algum estúdio ruim que
faça sem pedir autorização.
Os pais não os deixam tatuar ou colocar piercings
em um estúdio qualificado e eles acabam se
tatuando ou aplicando piercings na feira hippie!
Isso acontece muito aqui. No centro de SP há
muitas provas disso.
Você é mãe de dois
filhos pequenos. Como é sua relação
com eles quando o assunto é a sua profissão?
Eles ainda não entendem muito bem. Na cabeça
deles, tatuar-se é muito natural, assim como
ir ao médico e ao cabeleireiro. Eles me vêem
trabalhando muito e já estão acostumados.
Também gosto de ensiná-los a desenhar...
Ainda falta muito tempo até lá,
mas você acha que autorizaria um de seus
filhos a se tatuar antes dos 18 anos?
Com certeza autorizaria! A escolha é
deles! Não seria hipócrita de dizer
que não ...
Sua descendência oriental influenciou,
de alguma forma, a sua arte?
Minha família é japonesa, fui criada
com costumes japoneses, mas minha arte ate que
não foi influenciada, não. A tatuagem
oriental é muito complexa, exige muito
estudo ... Pretendo estudar oriental, mas isso
é com tempo!
Como é sua relação
com os profissionais de outras localidades?
Tenho muitos amigos fora daqui, em SP, no Rio,
conheço muita gente. A partir do momento
em que comecei a interagir com estas pessoas,
comecei a evoluir no meu trabalho.
Às vezes eu tatuo em SP e é uma
troca de informações muito boa.
Sempre corri muito atrás disso. Me lembro
como se fosse ontem, a primeira
tattoo que fiz na “Tattoo You” com
o Mauro, eu tinha comprado uma máquina
péssima e levei pra ele ver. Aí
ele começou a me explicar umas coisas a
respeito e a partir desse dia eu percebi o quanto
tinha a aprender com as pessoas de fora.
Você
já pensou em deixar a sua cidade e se mudar
para São Paulo ou alguma cidade maior por
causa da tatuagem?
Eu penso em sair daqui sim, este é um plano
pra um futuro próximo. E muito bom poder
estar com outros bons profissionais, para aprender
mais e mais.
Qual é seu estilo predileto para
tatuar?
Gosto de New School e Tradicional, não
gosto de Tribal..
.E para as suas próprias tatuagens,
qual é o seu estilo?
Gosto de tudo! Depende muito do artista que vai
fazer o trabalho. Se eu gosto muito do trampo
de um tatuador eu deixo ele livre pra criar, apenas
dou uma idéia, isso é fundamental
Vencer
os preconceitos de uma cidade pequena para ser
tatuadora é uma grande conquista neste
país em que muitas vezes tende-se a discriminar
a novidade antes de entendê-la. Como é
pra você, depois disto, ver seu trabalho
ser reconhecido e valorizado por outros artistas?
É incrível! Hoje tenho muitos amigos
tatuadores que admiro muito, é bom fazer
parte de um mundo que você ama e admira.
Na minha cidade sou muito respeitada e isso é
importante pra mim como profissional e como ser
humano. Tem tatuadores que elogiam muito meu trabalho,
pessoas com a qual eu já fui tirar dúvidas
, pessoas conceituadas no meio...
E daqui pra frente?
Meus planos? Aprender, estudar e evoluir!
|