
Março 2005 |
Estúdio: 108 Tattoo Family
Cidade: São Paulo - SP |
Por:
Amana Rodrigues
Reconhecido em todo Brasil, o tatuador Brinco do
estúdio 108 Tattoo Family, fala um pouco
sobre seu trabalho em família, suas experiências
dentro e fora do país, convenções
brasileiras de tatuagem e muito mais
Você
já trabalha com sua mãe, Tata (administradora
das lojas, admiradora e adepta da arte) há
muitos anos. Como aconteceu esse encontro de vocês
dois na tatuagem?
Quando a coisa começou a andar, a Tata já
trabalhava com administração. Depois
de um tempo ela veio para a 108 Tattoo, onde, hoje,
toma conta de tudo. Acho muito importante que haja
uma pessoa específica para tomar conta de
tudo, deixando o artista livre para sua criatividade.
Como é trabalhar em família?
Putz! É bem legal! É importante
você ter um bom ambiente para trabalhar,
isso ajuda muito.
Além da tatuagem feita
com máquina elétrica, você
também pratica o Tebori, técnica
oriental de tatuagem, em que se utilizam varetas
próprias para este fim. Quem são
as pessoas que optam por esta técnica?
Geralmente são pessoas
que conhecem um pouco do estilo japonês.
O
que lhe dá mais prazer em seu trabalho
com a tatuagem?
O que realmente me dá prazer é quando
chega alguém que conhece meu trabalho e
me dá liberdade para criar. Independente
de ser ou não, uma tatuagem do “Nihon”
ou um desenho realista, que são meus estilos.
O importante é que seja uma criação
minha. É muito comum os clientes chegarem
com revistas, querendo algo que foi publicado.
Eu acho que a tatuagem é feita, primeiro
para um novo tipo de estética corporal
e depois para que você seja diferenciado
das outras pessoas. Então, nada mais certo
que se fazer uma tatuagem exclusiva e é
isso que todos os tatuadores deveriam fazer para
que os clientes se apeguem ao estilo do profissional.
O que é essencial em um estúdio,
além de bons tatuadores e body piercers,
para que dê tudo certo?
Profissionalismo e ética
no mercado, nada além disto.
Porque
decidiu se filiar ao STP-SP (Sindicato dos Tatuadores
e Body Piercers do Estado de São Paulo)?
Porque acho que se cada um fizer a sua parte,
a coisa começa a andar.
Qual é a importância desse
tipo de associação, na sua opinião?
Acho que tudo que é feito no sentido de
organizar o mercado pode ser bom para todos.
Você já teve a experiência
de trabalhar algum tempo na Argentina. Como é
visão popular dos nossos visinhos em relação
à tatuagem?
A tatuagem na Argentina é muito nova, não
tem mais que trinta anos, mas isso não
a diminui em nada, pois lá existe muito
profissionalismo. O maior exemplo é a revista
“Piel”, quem já teve uma na
mão, sabe do que eu estou falando. É
uma revista especificada para tatuadores e pessoas
que realmente gostam de tatuagem e body mods em
geral. O investimento é alto, mas o retorno
benéfico para a tatuagem argentina é
absurdo. Não é só a grana
que influencia nessa hora e sim a arte. Tatuagem
não é comércio.
Em
que outros países, que não o Brasil,
você já participou de eventos relativos
à tatuagem?
Além da Argentina, também já
estive no Uruguai, Espanha e Portugal, onde pude
acompanhar uma reunião do Sindicato dos
Tatuadores de Lisboa. A organização
lá é bem forte.
Como os trabalhos brasileiros são
vistos lá fora?
No geral, somos vistos como bons tatuadores, pois
aqui no Brasil temos que ser muito versáteis.
Fazemos de tudo. O mesmo tatuador que faz uma
fotografia tem que fazer três estrelinhas...
Isso, lá, não acontece. Os tatuadores
que se destacam são os que criam direto
na pele.
O 108 Tattoo Family tem um site específico,
uma comunidade no Orkut e você tem uma galeria
com seus trabalhos no Portal Tattoo. A Internet
tem influenciado economicamente no universo da
tatuagem?
Muito, pois é uma grande forma de divulgação
em massa.
Seu
estúdio está sempre presente em
algumas das mais importantes convenções
do país. O que mudou depois que as convenções
se tornaram populares como são hoje?
Tudo mudou. O mercado da tatuagem vem caindo a
cada dia. As convenções deveriam
ter alguns critérios nos estandes, afinal
elas deveriam ser feitas para que o público
veja o que realmente é a tatuagem brasileira,
mas, na verdade, não é bem isso
que acontece. Participo de convenções,
regularmente, desde 1997, quando a maior convenção
tinha apenas 80 estandes, hoje são 173.
A premiação sempre foi feita às
escondidas, revelando ao público somente
os ganhadores, facilitando assim, toda e qualquer
manipulação de resultados. Todo
mundo vê isto, mas ninguém se manifesta,
já cansei de ver isto acontecer. Grandes
nomes da tatuagem brasileira estão sumindo
das convenções. Acho que as pessoas
que organizam este tipo de evento deveriam valorizar
mais os verdadeiros profissionais e não
só aqueles que fazem bonitas tatuagens.
Em 2004, você participou do filme "Garotas
do ABC" do diretor Carlos Reichenbach, como
foi esta experiência?
Já fiz vários trabalhos com publicidade
e este foi só mais um bico (risos).
Além
disso, você já se enredou em outros
tipos de manifestações artísticas?
Eu gosto de quase tudo relacionado ao desenho,
então procuro, sempre que posso, estar
criando algo diferente.
E a sua pele, você põe nas
mãos de quem?
Hoje em dia eu tomo muito cuidado com isso, porque
não basta você fazer uma tatuagem
com “tal tatuador”. Acho que você
tem que ter simpatia pelo artista, para que não
carregue o trabalho de qualquer um. No meu corpo,
tenho vários trabalhos de vários
artistas, mas hoje em dia estou tatuando com o
Zero, que tem uma puta paciência.
|