
Abril 2003 |
Estúdio: Sacred Hands
Tattoo
Cidade: Belo Horizonte - MG |
Por:
Amana Rodrigues
Quando
você começou a se interessar por esta arte?
Muitas pessoas associavam o fato de eu desenhar
à possibilidade de eu me tornar uma tatuadora. Assim,
comecei a me interessar pelo assunto, mas levou
algum tempo para aceitar a idéia.
Que atividade você exercia antes
de ser tatuadora?
Eu trabalhava numa editora de livros infantis e
fazia os desenhos dos livrinhos.
Como foi o seu primeiro contato com
a tatuagem?
Desde pequena, sempre gostei muito de desenhar.
Meus colegas de classe, desde o primário, me pediam
para que eu lhes fizesse tatuagens com hidrocor.
Esta é uma experiência de longa data... (risos)
Há quanto tempo você tatua?
Comecei há uns dois anos mais ou menos, tatuando
algumas pessoas como meu namorado e meu sogro. Há
nove meses estou no Tattoo Network, tatuando profissionalmente.
Que tipo de tatuagem você mais
gosta de fazer?
New school e Old school.
Como você define seu estilo?
New school e outras variações
Quais são suas influências?
Influencio-me pelo pessoal mais recente, os tatuadores
mais novos como Jeff Zuck, Joe Capobianco, Tom
Strom e Mauro Nunes. Também pelo trabalho do pintor
Afons Mucha e pelos quadrinhos de Mangá.
Você fez algum tipo de curso técnico
ou teórico para tatuar?
Adoraria fazer, mas não fiz. Acho importantíssimo.
Em que locais e/ou estúdios, você já
tatuou?
Eu tatuava em casa, antes de vir para o Tattoo
Network.
Você usa alguma técnica específica?
Eu sigo basicamente o que é comum à maioria dos
tatuadores, mas gosto de usar, por exemplo, água
desmineralizada para fazer sumiê.
Qual é a maior dificuldade que um tatuador
que está começando enfrenta?
A falta de experiência, ninguém quer se arriscar
a ser cobaia.
Você teve alguma dificuldade específica?
Eu me encontrei cercada de negações: Família contra,
sociedade contra, os próprios tatuadores da cena,
contra. Chegaram a falar mal do meu trabalho sem
conhecê-lo, tive que ter muita força de vontade
pra poder continuar. Alguém comentou com um amigo
meu que meus desenhos não eram grandes coisas
comparados aos dele, pois ele era um profissional
e eu não. Tudo bem. Eu até respeito o comentário
dele, mas não é o tipo de coisa que se deseja
ouvir. Com certeza tem muito mais gente aí para
te detonar do que para te ajudar.
Com a tatuagem em si, tive dificuldades e ainda
tenho algumas como pigmentação, ponto de máquina...
Você
acha que existe algum tipo de conflito entre as
diferentes gerações de tatuadores?
Existe, existe sim. Principalmente aqui em Belo
Horizonte. Os tatuadores mais antigos não sabem
"educar" o seu público e acabam desenvolvendo
muito desenho comercial sem se importar com o
novo ou até mesmo com a arte. E ainda por cima
incentivam este tipo de desenho: tribal, florzinha,
estrelinha, tudo inha... (risos)
O
que qualquer tatuador deve se cobrar para fazer
uma tattoo?
PACIÊNCIA. Preciso fazer um controle mental exaustivo
para tatuar. Sou muito agitada.
Você
passa ou já passou por alguma dificuldade específica
por ser uma mulher nesta profissão?
Nooooossa... De cliente dizendo que não quer tatuar
com uma mulher, a ter que agüentar cara feia durante
uma tatuagem. Essa descriminação acontece mais
por parte das mulheres. Já aconteceu de eu fazer
uma tatuagem que ficou boa, e a menina pedir pra
outro tatuador retocar. Outra pessoa chegou aqui,
me pediu para fazer o desenho, pois sou eu que
faço todos os desenhos do estúdio, fora o catálogo.
Ela gostou do desenho, mas quando foi marcar o
horário e descobriu que seria eu quem a tatuaria,
foi se garantir sobre o meu trabalho com o dono
da loja. Depois ainda tive que ouvir a frasezinha:
"Você vai fazer bem, não é?...".
E outras mais...
Quais
foram as suas experiências mais importantes como
tatuadora?
As mais importantes foram, entrar num estúdio
que já era bem conceituado na região e trabalhar
com um profissional ao lado, o Bito, que além
de amigo, é um grande professor.

O
que te dá mais prazer nessa profissão?
É a cada dia fazer um trabalho melhor. Tatuagem
é assim: Ou você ama e faz pro resto da vida,
ou você odeia e nunca mais quer saber.
Você
mesma já se tatuou?
Nunca. Eu até tentei, mas me impediram. Acho que,
pra quem está começando, tatuar-se pode ser uma
oportunidade de sentir melhor o equipamento, como
ele funciona no ato.
Quais
são os critérios que você usa para escolher as
tatuagens que irão para o seu corpo?
Meu critério é bem o estético. Olho o desenho
e procuro o melhor lugar para ele no meu corpo.
De preferência, gosto de tatuar com os meus amigos
e não dou muita opinião sobre o trabalho deles,
deixo que eles desenvolvam sua arte.

O
que tem a dizer sobre as convenções de tatuagem?
São ótimas para divulgar nosso trabalho, fazer
novos contatos, mudar essa figura marginalizada
da tatuagem, conhecer pessoas diferentes, importantes
para quebrar barreiras. É muito sério, mas é uma
diversão também.
O
que você aconselha a uma pessoa que deseja ter
uma tatuagem?
Eu a aconselho a procurar um profissional que
faça bem o estilo que ela procura, procurar saber
a respeito dos estilos, saber mais sobre tatuagem
e sempre conversar com o tatuador antes.
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