
Abril 2004 |
Estúdio: Banzai Tattoo
Cidade: Rio de Janeiro - RJ |
Por: Thiago Monteiro Bittencourt O
que, ou quem, te incentivou escolher esta profissão?
O gosto pela ilustração e a vontade
de unir trabalho e prazer, sabendo que nesta profissão,
realizo o sonho de muitas pessoas. Isso me satisfaz.
Há quanto tempo você está
tatuando no Banzai Tattoo?
Vai fazer 9 anos em julho.
Há quanto tempo é tatuadora
profissional?
Desde quando comecei na Banzai assim considero.
O convite para ir trabalhar aí,
partiu de alguém do estúdio ou teve
que ir "a luta"?
O próprio Lucio (dono da Banzai) me convidou
um ano depois de ter comprado a loja. A Banzai
na época já tinha um nome forte,
e isso parecia um sonho.
O
Banzai é o primeiro estúdio no qual
você trabalhou?
Não, trabalhei em outro estúdio
também do Lucio. O extinto "The Magic
Tattoo World" ficava em Ramos, no subúrbio
do Rio, mas foi só por alguns meses.
Como não poderia deixar de ser,
devemos perguntar: já foi discriminada
no meio da tatuagem por ser mulher?
Rola sempre uma discriminação, mas
hoje é mais tranqüilo pelo tempo em
que trabalho na loja e as pessoas já me
conhecem.
Pelos seus trabalhos dá pra ver
que você já desenha há muito
tempo. Antes de se dedicar à tatuagem,
o que preferia desenhar?
Na época gostava de figuras humanas com
toque de surrealismo. Eram figuras do inconsciente
quase como uma terapia.
Ainda
falando de preferências, qual o estilo você
mais gosta de tatuar?
Ainda gosto da figura humana - não daquela
que existe no real, mas a fantasia, o guerreiro,
a ninfa... Gosto também do dragão
inglês, apesar de não fazer muito;
de temas religiosos como santos e anjos; motivos
femininos e animais.
Se lembra qual foi a tatuagem que te
deu mais trabalho?
Não me lembro exatamente qual. Pra mim,
o que dá mais trabalho é a teimosia
do cliente que não quis pagar por um trabalho
profissional, que vai até a minha loja
para cobrir ou consertar a tattoo mal feita e
ainda por cima não aceita as limitações
da cobertura.
Como foi fazer a primeira tattoo?
A primeira tattoo foi bastante amadora, com uma
maquina caseira, agulha de costura e nanquim.
Tatuei um amigo meu e levei horas, apesar do desenho
ser pequeno, pois tinha que passar várias
vezes no mesmo local para a pigmentação
pegar na pele. Hoje em dia é tudo mais
fácil. Material e informação
ao alcance de todos.
Quais foram suas ocupações
antes de se tornar tatuadora?
Comecei a tatuar aos 18 anos sem muito compromisso,
mas pelo prazer. Em paralelo a isso trabalhei
como recepcionista, auxiliar de escritório,
arte finalista e com editoração
eletrônica. Nunca satisfeita com meu trabalho,
pedia demissão antes de completar um ano
de casa. Tatuava com pouca freqüência
limitando-me a trabalhos simples e tinha pouco
contato com outros tatuadores até conhecer
o Lucio.
Deixaria
de tatuar por algum motivo?
Se cortassem meus dedos.
Como foi a posição de sua família
quando decidiu tornar-se tatuadora?
Não gostaram muito da idéia na época.
Não era como hoje, existia muito mais preconceito.
Você mantém contatos ou
troca experiências com outras tatuadoras?
Não tenho.
Já participou de convenções
ou encontros de tatuagem no Brasil ou exterior?
Fui a uma no Rio a trabalho e, já faz tempo,
fui a uma em São Paulo, mas só a
passeio. Sou um pouco tímida.
Como
funciona o processo com os clientes, por serem
vários profissionais trabalhando no mesmo
local?
Existem clientes que já vêm procurando
um tatuador específico e clientes de balcão.
Procuramos dividir os trabalhos. Na Banzai não
há competição, sem essa de
"super ego". Se houvesse, eu não
estaria lá.
Quais os(as) tatuadores(as) dos quais
você mais admira o trabalho?
Kari Barbra, Tin Tin e Maurício Teodoro,
entre outros.
Você já tatuou em outra cidade
fora Rio de Janeiro?
Não tive esta oportunidade.
É filiada a algum sindicato ou
associação?
Não.
Seus
clientes são em sua maioria homens ou mulheres?
Tenho muitos clientes homens, mas como era de
se esperar, a grande maioria é de mulheres.
Elas se sentem mais a vontade com uma tatuadora.
Já teve estúdio próprio
ou pensa em abrir um pra você?
Não. A Banzai é uma grande família
aonde todos se ajudam, isso é difícil
de acontecer em qualquer ambiente de trabalho.
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