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 Agosto 2005
Estúdio: Tattoo Air
Cidade: Rio de Janeiro / RJ

Por: Amana Rodrigues


Você começou a desenhar aos quatro, tirou primeiro lugar em um concurso de desenho aos sete e se iniciou na aerografia aos treze anos de idade. Desce criança você já estava decidido ser um profissional das artes?
Sempre. Nunca tive vontade de ser médico, bombeiro, dentista, etc. Sempre coisas relacionadas ao desenho.

Como surgiu seu interesse pela arte da tatuagem?
Eu trabalhava com aerografia no calçadão de Madureira junto do Saba (Art Factory), Flávio (Tattoo Air), Marcelo e Léo (Leonardo Novaes). De todos nós, só quem não tinha tattoo éramos eu e Léo. A tatuagem sempre esteve ao meu redor.Os livros e as revistas que nós usávamos eram os mesmos usados pra tatuagem. Eu ficava cada vez mais fascinado com o que podia ser feito na pele. Me despertava o interesse a cada dia, até que surgiu a minha oportunidade.

O incentivo familiar é muito importante para um artista, na sua opinião?
É primordial. A base de tudo na vida é a família. Hoje em dia quem administra e trabalha no meu studio é meu pai.

Como foi aprender a tatuar?
Dedico todo o meu aprendizado ao Léo Novaes. Desde soldar agulha ate a minha primeira tatuagem que foi feita em seu studio foi ele que me ensinou. As primeiras tatuagens sempre dão um nervoso, mas a minha experiência na aerografia me trouxe muita segurança.

Você tem apenas 21 anos de idade e dois anos e oito meses de tatuagem, mas evoluiu muito rápido, profissionalmente. O que mudou na sua vida quando você escolheu esta profissão?
Tudo mudou. Não tenho tempo nem para desenhar a minha própria tatuagem (risos).

Você é um tatuador muito jovem, que ainda aos dezoito anos foi premiado com um trabalho na categoria “Realismo” e também como “Tatuador Revelação” em duas importantes convenções de tatuagens no Rio de Janeiro, estas conquistas lhe surpreenderam?
Sim. Participei dessas duas convenções sem a mínima intenção de ganhar alguma coisa. Receber esses títulos foi muito importante para mim, pois me incentivaram a solidificar a minha imagem como profissional.

Você recebe algum tipo de “feedback” de outros tatuadores mais experientes?
Sim, através do Leonardo Novaes. O meu studio é um pouco longe do centro, mas sou muito bem recebido e elogiado por todos. Minha relação é perfeita com os outros tatuadores.

Como foi sua primeira participação em uma convenção de tatuagem?
Foi muito louco. Eu e o Léo fechamos com o primeiro Tattoo Zone, dois dias antes do evento começar. Foi muita correria, mas graças a Deus, deu tudo certo.

Como seus clientes reagem diante de um tatuador tão jovem?
Às vezes eles chegam no meu studio procurando e idolatrando o tal de Renatinho. Quando eu saio da sala as pessoas continuam perguntando “cadê o Renatinho, o cara que fez o Jô?” (risos) Já tiveram situações engraçadas, como no studio do Leonardo Novaes: me passaram uma tatuagem pra fazer e quando a cliente olhou pra mim, disse que não ia mais fazer, que queria fazer com o Léo. (risos)

Você tatuou o rosto do Jô Soares na coxa de uma pessoa, foi inclusive este trabalho que lhe rendeu o prêmio de melhor tatuagem realista em 2004, no primeiro Tattoo Zone Rio Festival. Qual é a sua opinião sobre tatuagens que homenageiam outras pessoas?

Eu acho muito legal. Acho uma homenagem valida pra quem merece. Em mim, talvez tatue o meu filho.

Além da tatuagem, você ainda pratica a aerografia. De alguma forma esta prática interage com sua profissão?
Sim. De varias maneiras: o peso da caneta, aplicação de luz e sombra, precisão nos traços.

O que você pensa sobre um movimento que vem acontecendo muito em convenções de tatuagem, denominado Art Fusion?
Muito maneiro. A galera pode interagir e mostrar que sabe fazer ao vivo, não sendo um artista de “decalque”, de uma forma muito boa. Você pode ter a oportunidade de ter ao seu lado, dividindo a mesma tela, o seu ídolo. Isto é muito bom para o aprendizado. Ainda não tive a oportunidade de participar de nenhuma Art Fusion, mas espero poder agora, no segundoTattoozone, brincar um pouco com a galera.

Você ainda não tem tatuagens em seu corpo. Está guardando sua pele para algum momento especial, já tem algo em mente?
Esta pergunta devo responder umas 100 vezes por dia. (risos) Como já disse antes, quase não tenho tempo para fazer um desenho para mim. Quando não estou estudando desenho, estou desenhando para os clientes. Guardo minha pele sim, para um momento bastante especial e vou confessar que ele esta quase chegando.

Quais são seus planos para o futuro em relação a sua profissão como tatuador?
Estudar, estudar, estudar. Conhecer e participar de várias convenções dentro e fora do Estado, e quem sabe em outros países.


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