
Maio 2005 |
Estúdio: Tattoo
Shimizu
Cidade: São Paulo - SP |
Por:
Amana Rodrigues
Como foram suas primeiras tatuagens?
Já tatuo há 10 anos e lembro
da primeira tattoo como se a tivesse feito ontem.
Foi um tribal no braço de um cara que passava
na rua no momento em que eu cheguei em casa com
a máquina que meu pai me deu. Ficou tosca,
mas a partir daquele momento não parei mais,
fui fazendo várias, uma pior que a outra
(risos). Aí fui ganhando conhecimento e aprendendo,
como aprendo até hoje. No
início de sua carreira, muito mais do que
compreendido pela família, você foi
incentivado pelo seu pai, que inclusive financiou
seus primeiros equipamentos de tatuagem e deu todo
o apoio de que precisava. Como isto influenciou
sua carreira?
Se não fosse por meu pai, eu não
estaria dando esta entrevista, seu incentivo foi
fundamental. Além dele, minha mãe,
meus irmãos e minha futura esposa também
foram muito importantes na minha carreira, pois
sem este apoio e minha persistência, eu não
teria dado seqüência ao meu trabalho.
Tive muita sorte de ter as pessoas que amo do meu
lado, pois muitos tatuadores iniciantes não
têm o apoio que tive da família e acabam
desistindo, enquanto poderiam, com a pratica e a
técnica, se tornar grandes tatuadores.
E
fora de casa, como foi cair no mundo e contar com
o apoio de outros tatuadores?
No dia em que fui comprar a primeira máquina,
no centro de São Paulo, cheguei sem ter conhecimento
nenhum e, percebendo isso, alguns tatuadores muito
espertos aproveitaram minha ignorância e me
venderam um material de péssima qualidade.
Não me davam informação alguma
e eu só tomava portada na cara, até
que o tatuador Tuka da galeria do Rock me ajudou
dando uns toques, coisas básicas, mas fiquei
muito grato pela ajuda. Daí, fui conhecendo
tatuadores como Antonio Mai, que me ensinou muitas
técnicas e me disse que se eu queria tatuar
de verdade tinha que comprar uma máquina
decente, pois a que eu usava não estava me
ajudando. (risos) Então, juntei todo dinheiro
que tinha e comprei uma Micky Sharpz Hibrid. Meus
trampos mudaram da água para o vinho!
Quando você sentiu que já
era um profissional?
Quando abri o estúdio no ano de
2000. Hoje
em dia, você abre as portas para que novos
tatuadores possam aprender com você?
Claro! Penso no que passei e não
desejo isso pra ninguém! Sempre que alguém
me pede alguma dica ou alguma informação
sobre tatuagem, que esteja ao meu alcance, ajudo
com o maior prazer. Quem sabe esta pessoa não
se torna um ótimo tatuador?!
Você sempre participa das convenções
de tatuagem e de seus concursos?
Sempre que possível, participo.
Já perdi a conta de quantas já participei.
Percebi no seu site, que você
já ganhou vários prêmios, em
grandes Convenções, pelas suas tatuagens
tribais. Este é seu estilo predileto para
tatuar?
Gosto muito de tribais, mas de tribais
grandes, como aqueles com os quais ganhei os prêmios,
mas não é meu estilo preferido. Na
verdade gosto de todos, mas prefiro os que têm
muitas cores e efeitos.
Assim
como toda técnica, a tatuagem está
em constante evolução. O que um
tatuador deve fazer para se manter sempre atualizado?
Participar de convenções,
trocar técnicas com outros tatuadores e
antes de tudo, aprender sobre desenho, pois é
o mínimo que se deve saber para ser um
tatuador.
O nome de seu estúdio é
uma homenagem ao seu pai. Você fez ou faria
uma tatuagem em seu corpo homenageando alguém?
Tenho meu pai tatuado nas costas, foi
uma homenagem que fiz depois que ele faleceu.
Sou totalmente a favor das pessoas tatuarem entes
queridos, pois é uma homenagem que se carrega
para o resto da vida, mas deve-se tomar muito
cuidado antes de fazer este tipo de tatuagem.
Em relação à tatuagem,
quais foram suas maiores conquistas?
Os prêmios que conquistei nas convenções
são muito importantes para minha carreira,
mas nem se comparam às amizades que fiz
com tatuadores e o respeito deles para com o meu
trabalho.
Além
da tatuagem, você também trabalha
com designer gráfico e como web designer.
Este trabalho influencia na sua profissão
como tatuador?
Sim, inclusive fui eu que fiz todo meu
site, mas sou é tatuador. Ser designer
tornou-se um hobby que me ajuda muito na loja,
quando um cliente meu tem dúvidas sobre
o desenho que escolheu, eu tiro um foto digital
do local onde ele quer tatuar e faço uma
montagem com o desenho sobre a foto dele. Com
isso, dá para ter uma boa noção
de como irá ficar depois de pronto. Muitos
clientes me procuram por eu oferecer este serviço,
mas nenhuma tecnologia no ramo da tatuagem supera
os trabalhos free hand.
O que tem acontecido de mais importante
no universo da tatuagem brasileira, na sua opinião?
O nível da tatuagem no Brasil
subiu muito, temos tatuadores bons em todas as
regiões do país, as Convenções
estão cada vez melhores, apesar das palhaçadas
que acontecem em algumas, os tatuadores brasileiros
são muito bem vistos fora do país,
quando os gringos vêm pra cá ficam
de boca aberta com a qualidade dos trabalhos...
Tudo isso é uma grande evolução
para a tatuagem brasileira.
O
que você diria a quem deseja começar
a tatuar profissionalmente?
Comece tendo o bom senso. Bom senso no
sentido de olhar para um trabalho que fez e você
mesmo se julgar e ver onde estão os erros,
onde você pode melhorar e daí por
diante. Isso lhe dará uma grande base no
seu trabalho. Inicialmente, não vise lucro,
pois dinheiro na tatuagem é conseqüência
de um bom trabalho. Como você poderá
ganhar dinheiro e ser respeitado fazendo trabalhos
ruins? Procure conhecer tatuadores mais experientes
e não perca oportunidades de fazer perguntas
para tirar suas dúvidas. Seja humilde e
não se abale caso alguém feche a
porta na sua cara, pois tudo tem sua hora. Eu
nunca pensei que estaria onde estou hoje, tudo
foi acontecendo e graças a Deus deu certo,
porque eu não ficava encanado em me dar
bem, apenas fazia o que eu mais gostava: tatuar!
Agradeço a Deus por tudo.
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