
Abril 2005 |
Estúdio: Tattoo
Ilha
Cidade: Rio de Janeiro - RJ |
Por:
Amana Rodrigues
Depois de anos trabalhando com estilismo, artesanato
e publicidade durante vários anos, no Rio
de Janeiro, Zazá se entregou a arte da tatuagem
e garante estar muito feliz. Confira aqui a entrevista
cedida ao Portal Tattoo em que Zazá conta
como foi seu processo de escolha pelo universo da
tatuagem e muito mais. Há
quanto tempo você trabalha com tatuagem?
Há 11 anos.
Como foi aprender esta arte?
Na verdade, aprender a arte da tatuagem não
foi tão difícil para mim. Principalmente
porque sempre tive uma base muito boa sobre a
arte de desenhar e, além disso, tive a
sorte de conhecer dois amigos tatuadores bem conceituados
na arte da tatuagem, ótimos profissionais,
que me deram a maior força e me ensinaram
a tatuar. Faço questão de dizer
que um é o "Lelo" e o outro é
o "Marcos Ribeiro".
Você trabalhou como estilista de
moda durante vários anos, no Rio. Tanto
tempo desenhando croquis, trabalhando sobre minúcias
em busca de uma peça perfeita, de um caimento
adequado e de harmonia entre corpo e vestimenta,
provavelmente lhe renderam uma visão especial
sobre a figura humana e sua imagem pessoal. Isto
influencia no seu trabalho com a tatuagem?
Sim.
Quando tatuo uma mulher, procuro indicar o melhor
local e posição para colocar o desenho.
De acordo com o decote da roupa, por exemplo,
não tatuar debaixo das alças, enfim,
procuro colocar a tatuagem em harmonia com o corpo,
pois nem toda tatuagem fica bonita em qualquer
parte do corpo. Tem que ser como um vestido. Bem
moldada e elegante.
Você nos contou que, além
da tatuagem e do desenho de moda, já trabalhou
também com artesanato, esculturas e até
publicidade e propaganda, desenvolvendo logomarcas.
Por quê você se decidiu, em uma determinada
época, a ficar apenas com a tatuagem?
Porque as tatuagens foram aumentando, cada vez
mais as pessoas foram conhecendo o meu trabalho
e acabavam me procurando, então fui ficando
com pouco tempo para me dedicar aos outros tipos
de trabalho, com isso acabei me apaixonando e
me aprofundando cada vez mais na arte da tatuagem.
Moda e tatuagem (leia-se efemeridade
e eternidade): Você casa estes dois universos?
Na
minha visão, moda e tatuagem, são
duas coisas que enfeitam o corpo. A tatuagem fica
para sempre marcada no nosso corpo, nunca sai
de moda com o passar do tempo e quando gostamos,
olhamos para ela como se fosse nova. E a moda,
desde que eu conheço, sempre é lançada,
depois desaparece e depois volta de novo e assim,
sucessivamente.
Qual é o seu estilo predileto
para tatuar?
Gosto de flores, tribais e celtas, pois gosto
de criar estes tipos de trabalho.
Em seu estúdio, você trabalha
com outros dois tatuadores (homens). O fato de
você ser uma tatuadora atrai um maior público
feminino? Alguma cliente já manifestou
algo sobre se sentir mais à vontade com
uma mulher tatuando-as do que um homem?
Sim. Atualmente, as mulheres fazem bastante cobertura
de cicatrizes, de cirurgia, cesariana, busto (colocação
de silicone), plástica de barriga e etc.,
além da maquiagem definitiva. Então
elas se sentem muito mais à vontade pelo
simples motivo de eu ser mulher.
Estampas
com motivos tradicionais de tatuagem, como tribais,
orientais e old scholl, dentre outros, tem invadido
a indústria têxtil e grandes grifes
têm apostado na moda "tattoo".
Desta forma, a tatuagem tem se tornado cada vez
mais próxima da realidade das pessoas e
até quem nunca se imaginaria com um desenho
na pele, acabou aderindo à idéia
através do moda. O que você pensa
dessa nova tendência?
Eu acho muito interessante essa tendência,
pois há cliente que estampa a própria
tatuagem na camisa, por exemplo. Não acho
que banaliza, acho até que se faz uma propaganda
positiva, porque as pessoas, de certa forma, começam
a ver a tatuagem como uma forma de arte e, conseqüentemente,
a tatuagem começa a ser vista com outros
olhos.
A tatuagem, assim como a moda, se atualiza
o tempo todo e algumas vezes, acaba também
seguindo tendências, o que pede que os profissionais
estejam sempre ligados às novidades e se
inteirando do que tem sido discutido e descoberto
sobre as mesmas. Você acha que as convenções
brasileiras de tatuagem são um bom local
para troca destas informações?
Sim, com certeza. Todo ano vou às convenções
de tatuagem, principalmente às de São
Paulo, mas não participo trabalhando. Vou
para encontrar amigos
tatuadores, comprar material, pegar informações,
saber das novidades, o que há de novo no
mercado e nas técnicas. Enfim, ficar por
dentro do mundo da tatuagem.
Algumas pessoas encontram muita dificuldade
em escolher a imagem com que realizarão
seu desejo de ter uma tatuagem. Algumas recorrem
aos catálogos e séries de desenhos,
há quem procure uma idéia em revistas
de tattoo e outras simplesmente copiam uma tatuagem
já pronta. Como você acha que deve
ser o processo (básico, pelo menos) para
a escolha de um desenho para tatuar?
Há pessoas que não sabem o que quer
fazer, mas querem se tatuar. Então sempre
dou um velho conselho: você tem que olhar
os álbuns com calma, tente achar algum
desenho que se identifique com você. Às
vezes as pessoas passam horas e não conseguem
encontrar nada, e voltam no dia seguinte e aí
começa tudo de novo, mas isso é
normal, há todo um processo... O que não
posso fazer é interferir na escolha, isso
é muito pessoal. Elas demoram, mas acham
e quando acham ficam super felizes e me adoram
pela minha paciência.
E
suas próprias tatuagens?
Tenho quatro. Duas penas indígenas no meu
braço esquerdo, dois corações
em chamas no meu antebraço esquerdo, 1
tribal com rosa na lateral da panturrilha 1 tornozeleira
com orquídea. Todas elas foram escolhidas
de forma que cada uma tem um significado importante
para mim.
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