Interação foi a palavra de ordem na primeira convenção de tatuadores Mato-grossenses.
Freak Show, show de rock e rap, completaram a feira de tatuagem em Cuiabá.
Entre os dias 17 e 18 de maio deste mês, aconteceu o 1º Body Art Mato-grossense, em Cuiabá. A cidade que até então nunca tinha recebido um evento voltado aos profissionais e público da arte corporal, pode conferir em doze stands, os trabalhos dos melhores tatuadores do Estado.
Foram dois dias de evento, onde a palavra de ordem era interação. Todos os tatuadores com os quais conversamos a respeito da proposta do evento, disseram que o Body Art, foi o ponta pé inicial para a difusão da arte corporal no estado e mais, era o que faltava para os profissionais cuiabanos.
Os studios cuiabanos participantes foram: Rose Tattoo; Ibrain Tattoo; Jackson Tattoo; Viúva Negra Tattoo; Siloé Body Piercing; Cezar Tattoo e Peircing; Cicciolina Tatuagem e Peircing; Studio 13; Fatal Tatto Studio, Blood Still; Klaus Tattoo; Dois Loco Tatto Crew e Bicudo Tatto. Alexandre Veríssimo marcou presença, dividindo studio com o Bicudo Tatto. Arcanjo Tatto e o representante da TCM, Luciano Valino, comercializaram seus produtos.
Fiscais da Vigilância Sanitária realizaram palestras sobre a estrutura física de um studio, condições para atuação do tatuador, procedimentos bem como orientações sobre a documentação necessária para a abertura de um studio.
Essa parceria marca um novo momento entre a relação dos profissionais da saúde e os da arte. A vigilância montou um material especifico para tatuadores e body piercings, afim de contribuir na desmistificação da tatuagem, em um estado onde o preconceito com relação a tatuagem ainda é grande.
Cumprindo uma das propostas do evento, os organizadores da Body Art, homenagearam um dos tatuadores mais antigos de Cuiabá, Celso Tattoo, por toda a sua contribuição na arte e cultura cuiabana. Celso é tatuador a um pouco mais de vinte anos, é um dos precursores da arte na capital.
Body Art, não foi apenas uma feira de negócios. O evento agregou ações culturais, na qual o Freak Show, foi o ápice de divertimento da galera. Gibi Body Art (DF), chocou (literalmente) cuiabanos e cuiabanas, com performances sangrentas, malabares com fogo, tudo ao som da banda Macaco Bong (no sábado) e Raiz em Paz (domingo). Rodas de capoeira, de break (hip hop), shows de raggae, completaram o 1º Body Art Mato-grossense.
Confira as fotos do evento
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Organizadores avaliam a 1ª Body Art Mato-grossense.
Sindicato, metas e perspectivas para a cena cuiabana foram tema da conversa informal que virou entrevista.
Os organizadores da Body Art, com a Favela Comunicação e falaram sobre a organização do evento, sobre as expectativas, e as metas alcançadas. Edson Siqueira da Dois Loco Tatto de Cuiabá, e Bicudo Tatto de Tangará da Serra (MT), também falaram de algumas dores de cabeça que tiveram na produção do evento, normal a qualquer produtor cultural.
*Favela Comunicação é o núcleo de Comunicação da CUFA - Central Única das Favelas, que foi parceira no evento realizando toda a cobertura.
Confira o que os caras disseram:
FC: Quais as metas que vocês queriam alcançar com o evento?
Bicudo: queríamos alcançar a colaboração de todos e que todos os studios de Cuiabá participassem. Alguns não botaram fé, por ser o primeiro, o que avalio como uma certa demagogia dos “mais experientes”. Mas isso não nos abalou, só fortaleceu ainda mais a nossa vontade de realizar a Body Art. Não imaginávamos o tamanho do publico cuiabano, foi muito bonito ver famílias inteiras participando do evento. Isso é quebra de tabu.
Edson: Queríamos unir os tatuadores em Cuiabá, algo que é muito difícil aqui. Alguns tentaram barrar o evento divulgando coisas que não eram verdades. Além da união, queríamos dar espaço para os profissionais cuiabanos. Nada contra os de fora, mas é uma necessidade fazer com que os tatuadores daqui visualizem outros horizontes, troquem experiências e se capacitem.
FC: Então vocês conseguiram o que queriam?
Edson: Fizemos a parada de coração mesmo, por isso deu certo. A convenção não foi só uma convenção de tintas, de realismo, mas também de amizade, suor na cara.
Bicudo: Foi além do que esperávamos, não imaginava que teria tanta repercussão assim, tanto na imprensa como com os tatuadores. O reconhecimento dos caras foi o mais lindo de se ver. Todo mundo agradecendo a gente. Com isso não precisaríamos de mais nada. Aprendemos com os pontos negativos, com os stress que rolaram, mas isso só faz com que gente queira trabalhar dobrado para realizar o segundo.
FC: O que muda para a cena depois do evento?
Bicudo: Não era intenção apenas dar um ponta pé inicial. Sonhamos em levar o trabalho para a segunda edição, consolidar a tatuagem como uma arte; Consolidar a parceria com a CUFA, que foi fundamental. Não eram caras que queriam ganhar dinheiro, mas profissionais competentes que também sonham em difundir a cultura urbana.
FC: Sobre o SETAP (Sindicato dos Estúdios de Tatuagem e Body Pircing), como vocês avaliam a atuação deles?
Bicudo: Já participei de umas vinte palestras do SETAP, e acho que o sindicato é tudo de bom para a categoria. Eles têm estrutura para dar suporte médico e jurídico para os tatuadores e body peircings. Hoje somos reconhecidos como marcadores de boi; a vigilância sanitária não fiscaliza salão de beleza, mas fiscaliza a gente, e o SETAP pode contribuir com o trabalho incansável, digno e responsável que eles fazem. Mas fiquei ofendido com o sindicato, pois um tatuador de Cuiabá, que não se mistura aos outros, divulgou que estávamos fazendo o evento com o nome do sindicato, o que na verdade era um blefe para barrar a Body Art. Fomos prejudicados por calunias como essa, e também por que o sindicato valorizou a opinião ( ou a difamação) de uma cara que nem sequer dialoga com a categoria. Acho que o mais preparado para representar Mato Grosso é Cicciolina, pela experiência e também pelo trabalho responsável que ele faz.
FC: Como era o relacionamento com a Vigilância Sanitária antes do evento? O que muda agora?
Edson: Esperávamos muito menos deles, mas as fiscais que realizaram a palestra, as enfermeiras Jocilene Moreira e Rosangela de Oliveira, bem como toda a equipe da vigilância nos surpreendeu. Foi um dos pontos positivos da convenção, onde as fiscais demonstraram dinamismo e flexibilidade para com os studios de Cuiabá.
Bicudo: Fiquei fã da vigilância. Eles produziram uma cartilha para distribuir na Body Art, e fizeram uma palestra especifica para tatuadores. È um novo momento da arte corporal, que agora dialoga com o poder público por meio da Secretaria Municipal de Cultura e a Vigilância Sanitária.