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E ele ainda completou: “Como ela
me protegeu no sonho, resolvi tatuá-la
em minhas costas, para que continuasse a
me proteger.”
As ocasiões e motivos que levam as pessoas
a quererem uma marca exclusiva podem ser os mais
variados. Há muitos estudiosos que defendem
que o ser humano marca sua pele desde os tempos
mais remotos e que a tatuagem é apenas
uma evolução natural deste comportamento,
há os que acreditam ser uma influencia
da moda e do comportamento de grupo, outros afirmam
ser uma questão cultural e há muitas
outras pessoas, tatuadas inclusive, que sequer
têm uma opinião formada a respeito.
Segundo o chileno Boris, o mais antigo tatuador
em exercício no Brasil, que também
é antropólogo, “a tatuagem
está presente desde sempre entre os seres
vivos e com a humanidade não é diferente.
Em Levítico, na bíblia, já
se falava muito de tatuagem e isso data de cinco,
seis mil anos atrás”. Ele diz
que seria muita pretensão sua arriscar
uma explicação exata para as pessoas
desejarem começar a se tatuar, mas ensaia
uma teoria: “-Eu acredito que
o ser humano ainda mantenha instintos em seu primitivo
tubo neural, que sejam reminiscências dele
mesmo enquanto animal e que o faz apelar para
o mimetismo.”
E explica:
" Os animais adquirem desenhos geomorfos
para se sentirem parte do ambiente, para não
ameaçarem e nem serem ameaçados.
Os humanos também querem e usam seus símbolos
para fazer parte de um todo, para criarem uma
unidade de entendimento. Estes símbolos
vão para a pele para que o corpo comunique
por si só, para dizer que um indivíduo
partilha de determinada ideologia, para recordar
ou mostrar uma fase, para se embelezar, valorizar
sua imagem e dizer, com a pele, sobre um pouco
do que há dentro de si. Acho que este desejo
se tatuar começa aí, mas a moda,
a cultura e comportamento social são outros
fatores que também atuam neste desejo.”.
No entanto, o desejo de ter uma tatuagem não
é o bastante, é fácil perceber
que diversos outros aspectos podem influenciar,
e muito, na decisão de uma pessoa de realmente
tê-la ou não. A opinião das
outras pessoas é um destes vários
fatores. A carioca Peçanha conta que resolveu
fazer sua primeira tatuagem há uns 12 anos
e isso foi uma coisa muito inusitada em sua vida:
:“A tatuagem não estava
tão na moda como está hoje,
mas eu queria algum desenho feminino em meu corpo.
Estava tranqüila, pois faria com
a tatuadora Zazá, que eu jáa
conhecia por ser a mãe de um amigo meu. O
que me preocupou mais foram meus pais, mas não
tive muito problema depois que eles perceberam que
a tatuagem era bonita e muito bem feita.”
- Conta Cinthya. Outras histórias como
esta não acabam tão bem, há
vários casos em que a aceitação
só vem depois de muito tempo e muito conflito.
Infelizmente, a visão crítica da
sociedade muitas vezes se põe diante de
algumas de nossas realizações pessoais
e isso acontece com frequência quando é
o desejo de ter uma tatuagem que quer se tornar
real. Na segunda parte desta matéria, vocês
poderão conferir mais depoimentos sobre
dinheiro, responsabilidade, carreira e realização,
temas diretamente ligados à realização
do desejo de tornar mais colorido.
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Regina, 39 anos. Belo horizonte -
MG
Minha primeira tatuagem eu
fiz há uns três anos,
em São Paulo. Um dia eu estava
no meu trabalho e de repente, me deu
um clique: “Ai, eu quero fazer
uma tatuagem”. Fui falar com
uma amiga e ela disse que também
queria fazer. Neste mesmo dia começamos
a procurar alguns tatuadores e no
dia seguinte fomos até um estúdio
que nos foi indicado, para poder marcar.
Passei o dia escolhendo alguma coisa
que tivesse significado pra mim. Pensei
em tatuar o símbolo OM, já
que fazia Ioga; pensei em uma flor,
mas não queria uma rosa; então
lembrei da flor-de -lótus ,
que tem um significado super interessante,
pois é uma flor que nasce na
lama, na obscuridade, significa transmutação,
libertação. Naquela
mesma noite fomos ao estúdio,
levei uma imagem que escolhi na Internet
e, depois de algumas adequações
saí de lá com a minha
tattoo.
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